Mas a maioria das cicatrizes não são famosas como na saga de Harry Potter. Todo mundo tem uma. E cada uma trás uma história por trás. Sejam elas boas, ou sejam elas ruins. Quem nunca caiu da bicicleta e deixou uma marca na testa? Quem nunca se cortou com uma faca, ou até mesmo com cacos de vidro? Eu tenho diversas cicatrizes, e posso falar que cada uma dela tem uma grande história por trás. Mas a que eu mais lembro, é meu corte que eu tenho na mão. Com o tempo, ela nem aparece mais, só um risco branco que as vezes fica nítido. Mas sempre que eu olho pra ela, eu lembro de como eu ganhei ela. Eu lembro quando eu bati com a bicicleta no muro e o tijolo caiu na minha mão. Eu lembro como doeu e como sangrou. Ah, doeu demais. E todas as minhas outras doeram bastante. Mas essa foi a que eu mais lembro.
Só que tem aquelas cicatrizes que doem até hoje. Aquelas que não são visíveis pra ninguém, exceto por quem as tem. Aquelas que não são física e sim lá dentro e são essas que mais doem. Sim, essas são as mais doloridas. Que não tem nada que faz parar de doer. As vezes elas até voltam a sangrar e doer mais e mais. Muitas vezes, elas são tão antigas, que você nem sabe mais porque as tem. Só sabe que elas doem.
E tem aquelas que ficam lá, sem fazer nada. Só uma lembrança do que um dia machucou. De um passado que pode ter doído e que hoje é só passado mesmo. Olhando essas cicatrizes, a gente vê como nós mudamos e como nós nos tornamos diferentes do que quando ganhamos aquelas cicatrizes. Por mais que na hora doa e que algumas doam por um tempo, as cicatrizes sempre nos ensinam algo. Nunca nos deixam esquecer de algo que nós fizemos e quase sempre, são elas que não deixam a gente cometer os mesmo erros de sempre.

